
Ontem conversando com um professor de inglês antigo, ele me contava a experiência de dar aulas pra moçada mais jovem, dos seus 13 a 17 anos, e reclamava do comportamento na sala de aula, dos alunos.
Pois bem, ele falou que hoje é praticamente impossível você conseguir atenção da maioria dos alunos. Muitos deles ficam ouvindo fone de ouvido, outros brincando com aplicativos do Iphone, outros com netbooks , que ao invés de usá-lo como um beneficio na aula , não, descarrega fotos no mesmo e leva a aula para mostrar a seus amigos. Segundo ele, tem alguns alunos ainda, que colocam um foninho de ouvido em uma orelha, e com o outro ainda presta atenção na aula, e é participativo ainda.
Na conversa demos o nome ao grupo como adolescentes multimídia.
E pior, isso ocorre em uma escola particular, onde no começo do ano foi vetado a entrada de alunos com aparelhos eletrônicos, inclusive celulares, porém o veto caiu por terra com a manifestação dos pais desses alunos que achavam um absurdo não poderem levar eletrônicos que eles mesmos compraram para seus filhos “mostrar”. Então a escola atendendo aos pais retirou o veto e deixou na atual situação.
Esse professor deve ter por volta de 32 anos, e como eu fomos educados no método antigo de ensino, quando o ensino público ainda não era falido. Lembro que éramos educados por bons professores e qualquer coisa que fizéssemos em sala de aula, que não agradasse o professor, éramos penalizados, ou escrever uma “lição” inteira na lousa, ou ficar sentado num banquinho atrás da porta. As sextas feiras, depois das aulas todas, íamos para o estandarte da bandeira nacional, e cantávamos o hino nacional e o hino da bandeira e depois tínhamos meia hora de aula de educação moral e cívica.
Veja, estou falando do começo da década de 90, quando fiz meus primeiros anos do ensino médio em uma escola pública de minha cidade. Inclusive acho que passei por essa fase de sucateamento do ensino público, pois na 7ª série sai da pública e fui para a privada, para ter uma chance maior nos vestibulares da vida, e no meu último ano já estava piorando.
Atualmente mesmo em escolas privadas onde o ensino devia ser de melhor qualidade, não difere tanto das públicas. Isso tudo porque o ensino está sendo tratado como um negócio, e como é negocio as escolas precisam agradar seus clientes, e assim os pais agradados, se auto – enganam achando que seus filhos estão na escola aprendendo alguma coisa.
É claro que isso ainda é minoria, porém nas pequenas cidades como a minha, escolas particulares estão assim, e acredito que na maioria das cidades, por isso temos o êxodo de alunos dedicados que vão para grandes centros a procura de um ensino melhor.
É nítido e notório que precisamos de uma reforma drástica na educação, principalmente no público, para pelo menos ser competitivo ao privado e este melhorar também, afinal a competição estimula um melhor produto oferecido.
Visualizo ainda um colapso em nossa educação, porém isso é tópico para outro post.
Enquanto tivermos uma educação de péssima qualidade, teremos presidentes, governadores, prefeitos fazendo o que fazem. Afinal o semi-analfabetismo é diretamente proporcional a qualidade daqueles que nos governam.
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