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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A Crise da economia americana explicada de forma didática.






Paul comprou um apartamento, no começo dos anos 90, por 300.000 dólares, financiado em 30 anos.

Em 2006 o apartamento do Paul passou a valer 1,1 milhão de dólares. Aí, um banco perguntou para o Paul se ele não queria uma grana emprestada, algo como 800.000 dólares, dando seu apartamento como garantia. Ele aceitou o empréstimo, fez uma nova hipoteca e pegou os 800.000 dólares.

Com os 800.000 dólares, Paul, vendo que imóveis não paravam de valorizar, comprou três casas em construção dando como entrada algo como 400.000 dólares. A diferença, 400.000 dólares,
que Paul recebeu do banco, ele se comprometeu: comprou carro novo (alemão) para ele, deu um carro (japonês) para cada filho e com o resto do dinheiro comprou TV de plasma de 63 polegadas, notebooks, cuecas. Tudo financiado, tudo a crédito. A esposa do Paul, sentindo-se rica, sentou o dedo no cartão de crédito.

Em agosto de 2007 começaram a correr boatos que os preços dos imóveis estavam caindo. As casas que o Paul tinha dado entrada e estavam em construção caíram vertiginosamente de preço e não tinham mais liquidez.

O negócio era refinanciar a própria casa, usar o dinheiro para comprar outras casas e revender com lucro. Fácil! Parecia fácil. Só que todo mundo teve a mesma idéia ao mesmo tempo. As taxas que o Paul pagava começaram a subir (as taxas eram pós fixadas) e Paul percebeu que seu investimento em imóveis se transformara num desastre.

Milhões tiveram a mesma idéia do Paul. Tinha casa para vender como nunca. Paul foi agüentando as prestações da sua casa refinanciada, mais as das três casas que ele comprou, como milhões de compatriotas, para revender, mais as prestações dos carros, das cuecas, dos notebooks, da TV de plasma e do cartão de crédito.

Aí as casas que o Paul comprou para revender ficaram prontas e ele tinha que pagar uma grande parcela. Só que neste momento Paul achava que já teria revendido as três casas mas, ou não havia compradores ou os que havia só pagariam um preço muito abaixo daquele que Paul havia pago. Paul se danou. Começou a não pagar aos bancos as hipotecas da casa que ele morava e, também, das três casas que havia comprado como investimento. Os bancos ficaram sem receber de milhões de especuladores iguais a Paul.

Paul optou pela sobrevivência da família e tentou renegociar com os bancos que não quiseram acordo. Paul entregou aos bancos as três casas que comprou como investimento perdendo tudo que tinha investido. Paul quebrou. Ele e sua família pararam de consumir.

Milhões de Pauls deixaram de pagar aos bancos os empréstimos que haviam feito baseados nos preços dos imóveis.. Os bancos haviam transformado os empréstimos de milhões de Pauls em títulos negociáveis. Esses títulos passaram a ser negociados com valor de face. Com a inadimplência dos Pauls esses títulos começaram a valer pó.

Bilhões e bilhões em títulos passaram a nada valer, mas estavam disseminados por todo o mercado, não só nos bancos americanos como também em bancos europeus e asiáticos.

Os imóveis eram as garantias dos empréstimos, mas esses empréstimos foram feitos baseados num preço de mercado desse imóvel. Preço que despencou. Um empréstimo foi feito baseado num imóvel avaliado em 500.000 dólares e de repente passou a valer 300.000 dólares e mesmo pelos 300.000 não havia compradores.

Os preços dos imóveis eram uma bolha, um ciclo que não se sustentava, como os esquemas de pirâmide, especulação pura. A inadimplência dos milhões de Pauls atingiu fortemente os bancos americanos que perderam centenas de bilhões de dólares. A farra do crédito fácil um dia acaba.

Acabou. Com a inadimplência dos milhões de Pauls, os bancos pararam de emprestar por medo de não receber. Os Pauls pararam de consumir porque não tinham crédito. Mesmo quem não devia dinheiro não conseguia crédito nos bancos e quem tinha crédito não queria dinheiro emprestado. O medo de perder o emprego fez a economia travar.

Recessão é sentimento, é medo. Mesmo quem pode, pára de consumir.

O FED começou a trabalhar de forma árdua, reduzindo fortemente as taxas de juros e as taxas de empréstimo interbancários. O FED também começou a injetar bilhões de dólares no mercado, provendo liquidez. O governo Bush lançou um plano de ajuda à economia sob forma de devolução de parte do imposto de renda pago, visando incrementar o consumo, porém essas ações levam meses para surtir efeitos práticos. Essas ações foram corretas e, até agora não é possível afirmar que os EUA estão tecnicamente em recessão.

O FED trabalhava. O mercado ficava atento e as famílias esperançosas. Até que na semana passada o impensável aconteceu. O pior pesadelo para uma economia aconteceu: a crise bancária, correntistas correndo para sacar suas economias, boataria geral, pânico. Um dos grandes bancos da América, o Bear Stearns, amanheceu, na segunda feira última, quebrado, insolvente.

No domingo o FED, de forma inédita, fez um empréstimo ao Bear, apoiado pelo JP Morgan Chase, para que o banco não quebrasse. Depois disso o Bear foi vendido para o JP Morgan por dois dólares por ação. Há um ano elas valiam 160 dólares. Durante esta semana dezenas de boatos voltaram a acontecer sobre quebra de bancos. A bola da vez seria o Lehman Brothers, um bancão. O mercado e as pessoas seguem sem saber o que nos espera na próxima segunda-feira.

O que começou com o Paul hoje afeta o mundo inteiro. A coisa pode estar apenas começando. Só o tempo dirá.

No último dia 15 de Setembro de 2008, o Lehman Brothers pediu falência, desempregando mais de 26 mil pessoas e provocando uma queda de mais de 500 (quinhentos ) pontos no Índice Dow Jones, que mede o valor ponderado das ações das 30 maiores empresas negociadas na Bolsa de Valores de New York - a maior queda em um único dia, desde a quebra de 1929.

Após a leitura do texto acima, você acha que a crise é só dos americanos? Não, não é só a crise econômica americana (EUA), mas a de todo o mundo!!!

E pode sim afetar o Brasil, pois a recessão gera o medo, que gera a retração, que diminui o investimento, que restringe o crédito e, por conseqüência, diminui o consumo, que por sua vez gera o desemprego e a inadimplência. É ou não uma bola de neve?

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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Recessão Mundial




O mundo está a beira de uma recessão mundial.

Um dos maiores bancos americano Lehman Brother, foi a bancarrôta nesta ultima semana, levando consigo quedas de todas as bolsas mundiais.

Lehman Brother, fundado há 158 anos era simbolo da potência econômica nos EUA, estava com saldo devedor de 613 Bilhões de Dolares, esperava ajuda do FED (Banco Central Americano), mas esta não veio , e também não houve interessados em compra-lo, o que levou a concordata.

O Efeito Cascata, muito conhecido nesse ramo, continuou e acabou afetando AIG, maior seguradora do país, que não garantia mais o pagamento de seus segurados.

Com a quebra do banco, a Bovespa um dos termometros mundiais, caiu quase 8% e foi a maior queda das bolsas do mundo, porém segunda feira, dia 15/09 acabou lembrando vários economistas da quebra da bolsa, em 1929, onde tivemos a crise do café.

O Governo Americano, prevendo uma crise maior que a quebra da AIG, resolveu "estatizar" a mesma , comprando 80% de suas ações com 85 bilhões de dolares, demitiu toda diretoria, e vai sanear a administração da seguradora, e privatiza-la novamente.

A escolha do FED pelo AIG é explicada pelo tamanho da mesma. Sua carteira de seguros passa do trilhão de dolares, e uma possivel quebra , com certeza tornaria o efeito cascata muito mais rápido e destruidor. Em um raciocínio rápido, a empresa que teria seu seguro vinculado a AIG, não teria garantias, não seria ressarcido, e conseqüentemente não pagaria seu credor, e as proporções iam ser catastróficas, por isso a intervenção do FED.

Com essa injeção de dinheiro, trouxe de volta os animos ao mercado financeiro, porém estamos longe da calmaria mundial. Com essa dificuldade, os juros dos paises vão aumentando, inibindo o consumo, e as empresas vendem menos, com a menor venda, menor o lucro, e assim as empresas de capital aberto acaba refletindo em suas ações. É um ciclo. E a locomotiva das bolsas é a commoditie, que são produtos brutos, como petróleo, minério de ferro, aço, etc...e com a possível recessão deixam de ser consumidas, e o crescimento mundial diminui.

O Brasil não está a salvo dessa recessão, como diz nosso presidente, famoso por suas pérolas no setor economico, ontem soltou mais uma. Dizendo que a recessão mundial não afetará o Brasil. Afetará sim, como afetou já. O crescimento do PIB do primeiro semestre é muito mais em função da politica economica dos ultimos 14 anos, que da atual administração, e se tivessemos em águas mais calmas, com certeza esse crescimento seria muito maior.

Visto pela China, que adotou uma politica econômica agressiva nos ultimos anos e vem crescendo nas casa dos dois digitos ao ano.

A imagem é bem o retrato da atual situação mundial, EUA ainda é a locomotiva mundial, e se eles entram em recessão, o mundo vai sentir isso, óbvio, só não avisaram o Lula disso.

Sorte a nossa ainda, que o FED está se movendo para não deixar isso acontecer.

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