segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A Morte do Bom Senso




Hoje, fui a enterrar um querido e velho amigo. O Bom Senso com quem convivemos
tantos anos. Ninguém sabe exactamente quantos anos tinha, já que a sua Certidão
de Nascimento se perdeu nas gavetas da Burocracia. Será recordado pelas valiosas
lições que nos deixou, tais como: Saber quando sair da chuva; O porquê do
pássaro madrugador não passar fome; A vida não é sempre justa; E talvez a culpa
fosse minha.

O Bom Senso vivia segundo sólidos princípios (não gastes
mais do que ganhas),e normas fiáveis (quem manda são os adultos e não a
crianças) A sua saúde começou a deteriorar-se quando regulamentos bem
intencionados mas ditatoriais foram implementados. Noticias de que um rapaz de 6
anos tinha sido acusado de assédio sexual por beijar uma colega, adolescentes
suspensos por usarem anti-séptico bucal após o almoço; e uma professora
despedida por repreender um estudante mal-comportado, só pioraram a sua condição

O Bom Senso piorou quando os pais repreenderam os professores por
fazerem o trabalho que lhes competia, o de disciplinarem os próprios filhos.

O Bom Senso perdeu a vontade de viver quando as Igrejas se transformaram
em empresas;
E os criminosos passaram a receber melhor tratamento que as
vítimas.

Bom Senso ressentiu-se quando já não se podia defender dum
ladrão em sua casa e este o podia acusar de agressão.

Bom Senso desistiu
de viver depois duma mulher incapaz de compreender que um café fumegante estava
quente, derramou um pouco nas coxas e recebeu uma indemnização choruda por isso.

Bom Senso foi precedido no seu falecimento pelos seus pais, Verdade e
Confiança; sua mulher Discrição e suas filhas, Responsabilidade e Sensatez.

Sobreviveram-lhe 4 enteados:
Conheço os meus direitos;
Quero
Isto Já;
A Culpa Não É Minha e
Eu Sou Uma Vítima.

Poucos foram
ao seu funeral, pois poucos deram pela sua morte.
Se ainda o recordarem
reencaminhem a notícia, se não,
que descanse em paz.



Recebi por email este texto e achei muito bom o mesmo. Recebi através de uma apresentação em powerpoint, depois pesquisando na net achei em formato texto.

E concordo em gênero, número e grau com o texto, com certeza o bom senso esta cada ez mais escasso, e meu maior receio é com gerações futuras, que já crescerão com a falta do bom senso. Cabe ainda aos que tem um pouco disso vivo ainda, incluir na educação diária de nossos filhos ou entes próximos.


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Cintia Queiroz disse...

É triste, mas preciso, ou melhor, sou obrigada a concordar com isso.
Ainda temos a aprovação automática, jogando nas ruas centenas de analfabetos com diplomas.
Lembro de quando era "obrigada" a estudar como louca para as provas na escola e posterior vestibular, afinal eu detestava física, isso porque na cabeça do meu pai "só com estudo se sobe nessa vida", eu sempre o achei sábio, mas hoje olho pros lados e só vejo a ignorância predominante, daqueles que tem melhores padrinhos.